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Yayoi Kusama faz mostra panorâmica no CCBB

Uma das artistas japonesas mais vibrantes e surpreendentes em atividade, Yayoi Kusama conquistou a cena mundial de arte contemporânea com performances, videoarte, filmes, pintura, desenho, escultura, instalação, moda, poesia, ficção e "happenings" ao longo de cerca de seis décadas de carreira.

A partir do dia 12 de outubro, o CCBB apresenta a primeira exposição panorâmica da artista no Rio de Janeiro, produzida pelo Instituto Tomie Ohtake, em colaboração com o estúdio de Yayoi. Com o título de “Obsessão Infinita”, a mostra traz uma centena de obras (realizadas entre 1949 a 2012) com a curadoria de Philip Larratt-Smith (curador do Malba – Fundación Constantini, Buenos Aires) e de Frances Morris (curadora da retrospectiva da Kusama na Tate Modern de Londres). Um dos destaques da mostra é a instalação “Dots Obsession”, que traz seu conhecido padrão de pontos e bolas coloridas.

Yayoi Kusama (1929) começou a realizar seus trabalhos poéticos e semi-abstratos em papel nos anos 1940, antes de sua celebrada série “Infinity Net” (Rede Infinita), no final dos anos 1950 e no início dos 1960. Essas pinturas originais são caracterizadas pela repetição obsessiva de pequenos arcos pintados, aglutinados em padrões rítmicos maiores. Sua mudança para New York, em 1957, foi um divisor de águas para a artista.

Foi nessa época que entrou em contato com Donald Judd, Andy Warhol, Claes Oldenberg e Joseph Cornell. Sua prática de pintura abriu caminho para esculturas delicadas, conhecidas como “Accumulations” (acumulações) e, em seguida, para performances e happenings que se tornaram selos da subcultura marginal e renderam, para a artista, notoriedade e a atenção das principais correntes críticas de então.

Em 1973 Kusama retornou ao Japão e, desde 1977, vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica. O caráter psicológico singular e pronunciado de seu trabalho sempre foi combinado com uma generosa dose de reinvenção e inovação formal, o que lhe permite dividir sua visão única com um público mais amplo, através do espaço infinitamente espelhado e da repetição obsessiva de pontos que caracteriza sua obra.

“Minha arte é uma expressão da minha vida, sobretudo da minha doença mental, originária das alucinações que eu posso ver. Traduzo as alucinações e imagens obsessivas que me atormentam em esculturas e pinturas. Todos os meus trabalhos em pastel são produtos da neurose obsessiva e, portanto, intrinsecamente ligados à minha doença. Crio peças, mesmo quando não vejo alucinações", conta a artista.

Em seus trabalhos mais recentes, Yayoi renovou o contato com seus instintos mais radicais em instalações imersivas e colaborativas – peças que fizeram dela, com justiça, a artista viva mais celebrada do Japão.

O CCBB funciona de quarta a segunda, das 9h às 21h, na Av. Primeiro de Março 66, Centro.