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Livro abrange seis décadas da obra de Wilma Martins

Premiado pelo Edital II do Programa de Fomento à Cultura Carioca, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade do Rio de Janeiro, o livro "Wilma Martins" é a primeira publicação abrangente sobre 60 anos de produção visual da artista mineira, radicada no Rio. Este ano, ela participa da Bienal Internacional de São Paulo, a convite do curador-chefe Jochen Volz.

O volume de 188 páginas cobre o universo criativo da artista, das xilogravuras carregadas de negro, em contraste com desenhos muito limpos, chegando às pinturas de cenas prosaicas do cotidiano doméstico invadidas pela natureza ou cristais que penetram na paisagem natural em narrativas fantásticas, em 124 imagens que incluem fotos documentais da artista com expoentes da política e das artes.

Além do ensaio principal de Tania Rivera e uma antologia de escritos de 16 críticos brasileiros, Frederico Morais, coordenador editorial do livro, incluiu um texto seu sobre o resgate da produção da artista como ilustradora, atividade que exerceu na Belo Horizonte natal e no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1966. Completam o livro um texto que revolve a biografia remota de Wilma, mais cronologia e bibliografia.

Da tiragem de 1.000 exemplares, 65% serão distribuídos gratuitamente. O restante vai para as livrarias. A edição tem produção editorial de Fernanda Lopes e Stefania Paiva, design gráfico de Adriana Cataldo e coordenação geral da Endora Arte Produções|Mauro Saraiva.

O livro WILMA MARTINS é a terceira etapa da comemoração dos seus 80 anos de idade e 60 de carreira. Em 2010, Morais, marido da artista, planejou e começou a trabalhar uma retrospectiva e a edição de publicações que registrassem a carreira de Wilma. A exposição aconteceu no Paço Imperial entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014 e foi eleita pelo jornal O Globo uma das 10 melhores do ano. Em maio de 2015, Wilma lançou dois pequenos livros, contemplados por um edital da Funarte: “Cotidiano” e “Caderno de Viagem”, ambos de caráter fac-similar, que reproduzem os cadernos de desenho que ela manteve ao longo do tempo.

Sobre a artista
Nascida em Belo Horizonte em 1934, Wilma Martins se expressou através de gravura, desenho, ilustração e pintura. Foi aluna de Guignard, Franz Weissmann, Anna Letycia e Misabel Pedrosa ainda na capital mineira.

Muito recolhida, teve uma carreira silenciosa, mas reconhecida. Muitos lembram do trabalho e não do nome. Ela participou das Bienais Internacionais de São Paulo de 1967, Liubliana [1967], Biella/Itália (1971), Santiago do Chile, Porto Rico, Veneza [1978], Cali/Colômbia, da Trienal de Carpi/Itália e da Xylon V, Genebra e Berlim [1969]. Ganhou o Prêmio Itamaraty nessa Bienal Internacional de São Paulo, Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna de 1975 e o Prêmio Principal do Panorama de Arte Atual Brasileira em 1976, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Gilberto Chateaubriand é o maior colecionador individual de Wilma Martins. Ele tem nove desenhos e duas pinturas da série Cotidiano, dos anos 1970-80, e uma xilogravura da década de 1960. Obras de Wilma Martins integram os acervos do Museu Nacional de Belas-artes, RJ; MAC Niterói/Coleção João Sattamini, RJ; Museu Antônio Parreiras, Niterói, RJ; MAM São Paulo; MAM do Paraná, Curitiba; Museu de Arte da Pampulha, BH; Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG; Sul América Seguros, SP; Pratt Graphics Center, Nova York, e Museu de Arte Moderna La Tertúlia, Cali/Colômbia.