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Exposição Oblíquos - Individual de Flavia Junqueira na Quadra

Após participar de exposições e feiras internacionais e no Brasil, a artista Flávia Junqueira abre sua primeira exposição "Oblíquos", no Rio de Janeiro, com curadoria de Isabel Sanson Portella. Essa é a primeira exposição individual da Quadra, escritório de arte no Leblon, que contará com duas séries inéditas da artista, além de duas já antes apresentadas.

Mais uma vez, Flavia Junqueira nos convida a mergulhar bem fundo nas lembranças, na emoção, na fantasia. As imagens por ela coletadas trazem também o som e o movimento inseparáveis dos carrosséis nos parques de diversão, nas feiras e festas populares. O olhar se perde na beleza dos cavalos de madeira, nas crinas esvoaçantes, no movimento garboso das patas em galope. E eles giram, e tornam a girar, e sobem e descem incansáveis na nossa imaginação, ao som da música singela que acompanha a cavalgada. No carrossel, todos que entram na brincadeira são heróis, soldados ou guerreiros, princesas ou rainhas. Mas os cavalos estão presos, trespassados por um eixo vertical que os impede de alçar voos mais livres. Talvez esse seja o maior dilema, aquilo que mais nos emociona: a força e a vitalidade submetidas. Tudo nos cavalos de carrossel sugere o movimento livre, mas na verdade é apenas fantasia. Eles não sairão da roda, jamais se cansarão de girar, nunca irão refugar nem jogar seus cavaleiros ao chão. Estão ali aprisionados porque assim é necessário, é mais seguro.

Flavia Junqueira traz para essa mostra imagens dos mais lindos e importantes cavalos de carrossel já fabricados ao longo da história. Mas ao intervir nas imagens a artista faz com que lanças de metal dourado cruzem, na diagonal, o corpo dos animais. Não é mais um eixo vertical que prende os cavalos, mas dardos oblíquos. Não são mais cavalinhos de carrossel. São os cavalos que a artista idealizou.

As inúmeras fotos, que Flavia colecionou por anos, indicam o fascínio que a temática dos brinquedos e dos parques de diversão exerce sobre ela. As imagens que ficaram impressas têm a cor e a memória de outro tempo. São agora apenas lembranças que trazem certamente a nostalgia. São flagrantes de uma realidade oblíqua que já não é. São instantâneos que inquietam o olhar, pois estarão para sempre impregnados de melancolia. Como lanças douradas que atravessam a alma."

Isabel Sanson Portella

SOBRE A ARTISTA

Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo – USP e Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado -FAAP, atualmente cursa Pós Graduação em Fotografia da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado-FAAP. Recentemente, integrou o Programa Pivô Pesquisa/Copan e participou do projeto do programa de residências da Izolyatsia’s Platform for Cultural Iniciativas, na cidade de Donestk, na Ucrânia, com curadoria de Boris Mikailov. Participou, ainda, da residência Cité Internationale Dês Arts em Paris, através de bolsa contemplada pela FAAP. Integrou, em 2010, o Programa PIESP da Escola São Paulo e atuou como assistente de cenografia no Espaço Cenográfico de São Paulo de J.C.Serroni.

Entre os principais projetos e exposições coletivas que participou, destacam- se as coletivas: Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile no Palais de Tokyo, The World Bank Art Program, Kaunas Photo festival, Exposição Individual “Tomorrow i will be born again” na Cité Dês Arts, coletiva una mirada latino americana do projeto Photo España, Temporada de Projetos do Paço das Artes, Prêmio Energias na Arte do Instituto Tomie Otahke, Programa Nova Fotografia do Museu da Imagem e do Som, Concurso Itamaraty, Residência RedBull House of Art, Atêlie Aberto da Casa Tomada, entre outros.