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Débora Bolsoni: Pra Aquietar

A galeria Athena Contemporânea apresenta, a partir do dia 20 de julho, a individual “Débora Bolsoni – Pra Aquietar”, com cerca de 30 obras inéditas, dentre desenhos e esculturas, da artista carioca radicada em São Paulo. Ela acaba de voltar de Paris, onde realizou uma residência na Cité Internacionale dês Arts e uma exposição no Drawing Lab, o primeiro centro de arte contemporânea da França dedicado ao desenho.

Com curadoria de Claudia Rodriguez-Ponga, as exposições do Rio e de Paris foram pensadas em conjunto, em um projeto que surgiu há mais de um ano. Muitas obras da exposição no Rio foram pensadas em Paris e alguns elementos que compõem as obras foram encontrados na cidade francesa, tanto na rua quanto em lojas de material de construção.

Débora Bolsoni é conhecida por seus trabalhos com formas tridimensionais e que se relacionam com a arquitetura dos espaços e o urbanismo das cidades. Nesse projeto, no entanto, a curadora quis focar na relação da artista com o desenho, com a sua poética. “Mesmo nas esculturas, há o desenho. Os trabalhos fazem uma reflexão sobre a quietude e o movimento. O movimento que fica contido nas obras, que a qualquer momento podem se mexer, podem mudar”, afirma a curadora.

Débora Bolsoni se apropria de elementos que vê na rua e encontra muitos objetos para o seu trabalho em lojas de material de construção. Tanto em Paris quanto no Rio, há obras da série “No names, but names”, que é composta por “carrinhos” usados para transporte de mochilas infantis e venda ambulante. No lugar deles, a artista coloca caixas feitas por ela em papel cartão, que são banhadas de parafina, onde a artista faz desenhos usando pastel oleoso.

“Os carrinhos são suportes para os desenhos, é um desenho-escultura ou uma escultura-desenho. É uma ideia sobre circulação, sobre algo que passeia entre as coisas. Há uma tensão de que um movimento que está prestes a acontecer”, diz a artista. “Os carrinhos são um movimento interrompido, assim como os desenhos”, ressalta a curadora.

Na exposição “Pra Aquietar” haverá um “carrinho” menor chamado “Sônia a Paquetá”, que faz referência à época em que Sônia Braga foi morar em Paquetá. Os desenhos dessa obra representam pegadas no chão. Esse trabalho, assim como outros da exposição, foram pensados em Paris. Para Débora, a cidade é muito feminina e ela passou a observar como as mulheres experimentam o espaço público. Com isso, lembrou de atrizes que representam essa feminilidade e lhe veio à cabeça Sônia Braga no Festival de Cannes, no ano passado, e do tempo em que ela foi morar em Paquetá, “um lugar mágico”, segundo Débora.

Com isso, também surgiu o título da exposição “Pra Aquietar”, que foi retirado da música homônima de Luiz Melodia, de 1973, em que ele também faz referência a Paquetá e à calma das coisas. “Como nas paradinhas da música de Luiz Melodia que dá título à exposição, estes cortes no tempo são, na verdade, a chave de qualquer movimento, sua essência inesgotável”, diz a curadora. “Para criar minhas obras, trago outras expressões artísticas, como a música, e não só as artes visuais”, conta a artista.

A exposição terá, ainda, outros trabalhos que possuem elementos urbanos como referência, como “Shelf with Poteau”, que foi inspirada nas barras de ferro que impedem que os carros estacionem nas calçadas de Paris, e “Veneziana”, que é composta por um capacho preto, que imita ferro, que foi achado pela artista na capital francesa. Na obra, que será colocada no chão da galeria, ela fez intervenções com tinta branca.

Em uma das paredes da galeria estará uma roda vermelha, criada pela artista com carpete e parafina. “Ela estará representando a roda, um ícone do movimento”, afirma a curadora. Também na parede estará a obra "Inutile d’ajouter" onde, em uma pequena barra de ferro a artista apoia uma placa de linho e um azulejo verde com trechos do “manifesto surrealista”, de André Breton (França, 1896 - 1966). Haverá, ainda, uma caixa com textos e azulejos que a artista compra em lojas de materiais de construção usados. “São objetos que já tem uma história”, diz.

Na exposição, haverá, ainda, desenhos feitos em grafite, ecoline e lápis de cor sobre papel, de 2012, que se relacionam com a questão do movimento e com as demais obras. Os desenhos são muito sutis, com pequenos elementos e, às vezes, algumas frases. “Eles trazem silhuetas, que na verdade é uma presença e determina algo que já foi”, explica a curadora.

A mostra vai até o dia 19 de agosto. A Galeria Athena Contemporânea fica no Shopping Cassino Atlântico (Avenida Atlântica, 4240 – 210/211 – Copacabana). Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 12h às 18h. Entrada gratuita.