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Celso Brandão expõe na Galeria da Gávea

Fotógrafo e cineasta alagoano, Celso Brandão realiza sua primeira individual na Galeria da Gávea, com abertura no dia 22 de junho. “Caixa-preta” tem curadoria do fotógrafo Miguel Rio Branco e já esteve exposta na Maison Européenne de la Photographie (Paris), em 2016.

A mostra reúne um conjunto de imagens que são fruto da imersão do artista em sua terra de origem durante a década de 1990. São um testemunho da passagem do tempo neste pequeno estado do Nordeste com forte identidade, marcada pela existência do rio São Francisco, do Sertão, de numerosos quilombos, do Carnaval, da cana-de-açúcar, de várias etnias indígenas e da diversidade geográfica.

Segundo Celso Brandão “a fotografia em preto e branco é, sem dúvida a genuína captacão fotográfica, a que mais incisivamente decodifica a realidade que nos cerca. Já o título surgiu por estar resgatando dados de uma determinada trajetória, como de uma caixa-preta de avião, encontrada no abismo do esquecimento”.

Para Fábio Settimi, idealizador da exposição e editor do livro homônimo, Celso Brandão é um fotógrafo da condição humana. “Homem de cinema, autor de concisa e rigorosa filmografia voltada à observação e interpretação do universo cultural Nordestino brasileiro, Celso Brandão sempre trouxe consigo a câmera fotográfica e construiu, em paralelo, um pungente registro do homem e de seu meio. Sua fotografia é obra individual e intimista”.

"Sua fotografia é uma amálgama de sua rara sensibilidade, lirismo, e sintonia com os estados de espírito daquela gente e a identidade dos lugares, com o apuro de um olhar subsidiado por sólida formação intelectual”.

No dia da abertura, será lançamento do livro “Celso Brandão Caixa-preta, segundo Miguel Rio-Branco”. Em 2017, Maison Européenne de la Photographie adquiriu para o seu acervo o conjunto completo das 56 obras que fazem parte da série Caixa-preta”, selecionada e organizada por Miguel Rio-Branco

A mostra vai até o dia 18 de agosto. A Galeria da Gávea fica na Rua Marquês de São Vicente, 431 Lj A. Funcionamento: de segunda a sexta, de 11h às 19h (visitas devem ser agendadas pelo telefone 21 2274-5200). Entrada gratuita.

Sobre o artista

Celso Brandão nasceu em Maceió, Alagoas, em 1951. Dedica-se há cinco décadas à fotografia e ao cinema, contabilizando atualmente mais de 50 documentários etnográficos e tendo participado de diversas exposições e publicações fotográficas no Brasil, Alemanha, Inglaterra, Itália e França entre as quais se destacam: Argueiro, um cisco no olho (Galeria Fotóptica, São Paulo, 1993), Canudos (Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, 2002), Memento (Casa da Aposentadoria, Penedo, 2013/IPHAN, Maceió, 2014) Canto Oculto (CAIITE, Centro de Convenções/Pinacoteca Universitária da UFAL, 2015), Boîte noire (Maison Européenne de la Photographie, Paris, França, 2016).

Especialmente dedicado à fotografia em preto e branco, sua obra apresenta um olhar poético sobre temas ligados à vida, ao cotidiano e, sobretudo, às manifestações culturais do nordeste. Publicou o livro fotográfico Memento (2013), pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, e realizou exposição de mesmo título como artista homenageado pelo III Festival de Cinema Universitário de Alagoas (UFAL, Penedo, 2013) e, posteriormente, na Casa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan, Maceió, 2014).

Graduado em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Pernambuco e especialista em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais pela Universidade Cândido Mendes, foi professor de fotografia nos cursos de Arquitetura e Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas por 30 anos.

Sua obra está na Coleção Pirelli/MASP de Fotografia (São Paulo, SP) e na coleção da Maison Européenne de la Photographie (Paris, França).